Philippe Halsman (1906-1979): pular, saltar, fotografar

Categoria: História e Fotografia.

01/06/2016

Cada rosto que vejo parece esconder – e às vezes fugaz para revelar – o mistério de outro ser humano. Capturar esta revelação tornou-se o objetivo e paixão da minha vida. (Philippe Halsman)

 

Philippe Halsman (1906-1979) nasceu em Riga, Letônia, antigo Império Russo. Sua carreira fotográfica inicia-se em Paris, onde em meados de 1934 inaugurou um estúdio fotográfico especializado em retratos, nele fotografou muitos artistas e escritores conhecidos – André Gide, Marc Chagall, Le Corbusier, e André Malraux, utilizando um inovador twin-lens reflex que ele projetou para si mesmo.

 

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Philippe Haslman, Self-portrait / 1950

 

Parte do grande êxodo de artistas e intelectuais que fugiram dos nazistas, Halsman chegou aos Estados Unidos com sua jovem família em 1940, tendo obtido um visto de emergência através da intervenção de Albert Einstein. Teve a possibilidade de conviver com estadistas, cientistas, artistas e animadores do século XX. Seus retratos apareceram em mais de 100 capas da revista Life, um recorde que nenhum outro fotógrafo conseguiu ultrapassar.

O sucesso do Halsman é o resultado de dois fatores – a alegria de viver e sua imaginação – que combinados com sua destreza e domínio da técnica o tornaram um dos fotógrafos de retrato mais importantes do século XX. Em 1945, ele foi eleito o primeiro presidente da Sociedade Americana de Revista Fotógrafos (ASMP), onde liderou a luta para proteger os direitos dos fotógrafos. Em 1958, Halsman foi nomeado por seus colegas e contemporâneos um dos dez maiores fotógrafos do mundo. De 1971 a 1976 ele ministrou um seminário na The New School, intitulado Retrato Psicológico.

 

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Philippe Haslman, Eva Marie Saint / 1954 e Edward Steichen / 1959

 

Halsman e Salvador Dali tiveram uma parceria criativa que perdurou por 37 anos, a qual resultou em um fluxo de incomum de fotografias de ideias. No início de 1950, Halsman iniciou uma série de fotografias, nas quais ele solicitava a seus clientes que saltassem para a sua câmera, ao final de cada sessão. Estas imagens são únicas e importante marco para o legado fotográfico.

Segundo Halsman em seu livro Jump Book, “Quando olhamos para o rosto de alguém, não sabemos o que ele pensa ou sente. Nós nem sequer sabemos o que ele é como. (…) todo mundo usa uma armadura. Todo mundo se esconde atrás de uma máscara”.

 

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Philippe Haslman, Marilyn Monroe / 1954 e Audrey Hepburn / 1955

 

Jumpology era a sua versão do Rorschach. Ele chegou a essa concepção no início dos anos 1950, quando ele foi contratado para fotografar toda a família Ford, por ocasião do 50º aniversário da empresa. Como regra geral, Halsman acreditava os “saltadores” sem movimentos do braço não gostavam de se comunicar, enquanto os que saltavam com os braços abertos mostravam sinais de ambição.

In a Jump, escreveu ele, “a pessoa, em uma súbita explosão de energia, supera a gravidade. Ela não pode controlar simultaneamente suas expressões, seus músculos faciais e dos membros. A máscara cai. O verdadeiro eu se torna visível”.

 

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Philippe Haslman, Jump Book / 1959

 

Referências:

HALSMAN, Philippe. Philippe Halsman’s Jump Book. New York: Harry N. Abrams, 1986.

LENS – Photography, vídeo and visual journalism (The New York Times)

http://lens.blogs.nytimes.com/2015/11/02/halsman-jump-on-it/?_r=0

Acessado em 26/05/2016, às 10:30.

Philippe Halsman

http://philippehalsman.com/images/

Acessado em 26/05/2016, às 11:30.

 

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Fabiola B. Notari é artista visual e pesquisadora. É doutoranda em Literatura e Cultura Russa no Departamento de Letras Orientais (DLO/FFLCH/USP) e mestre em Poéticas Visuais pela Faculdade Santa Marcelina (FASM/ASM). Leciona História da Fotografia e Fotomontagem no Curso Superior de Fotografia no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e coordena o Grupo de Estudos Livros de artista, livros-objetos: entre vestígios e apagamentos na Casa Contemporânea.