Mariah Robertson e o gestual na fotografia

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20/08/2015

Mariah Robertson é uma artista curiosa, começou estes trabalhos a cerca de 4 anos quando acidentalmente estragou um rolo de 40 polegadas (aproximadamente 1metro) de papel fotográfico metálico da Kodak. Ao invés de jogá-lo fora, decidiu banhar esse papel com os químicos de revelação em combinações e temperaturas diferentes.

A artista vem aperfeiçoando de forma paciente suas intervenções no papel fotográfico e descobrindo novas reações químicas que se desdobram em possibilidades de formas e cores para sua produção.

 

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Mariah Robertson em seu ateliê no Brooklyn, NY

 

O resultado são imagens extremamente coloridas e saturadas. Em determinados trabalhos a artista utiliza como construção da imagem apenas os químicos de revelação, o que dá um caráter mais fluído nas formas, tornando o gesto pictórico. Em outros momentos, utiliza uma matriz fotográfica somada ao experimentalismo com químicos.

 

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Mariah Robertson em seu ateliê no Brooklyn, NY

 

Robertson apresenta seus trabalhos em diversos tamanhos, alguns são de tamanhos médios e outros já bastante extensos, utilizando a potencia da dimensão do rolo de papel fotográfico. Por isso, a forma como suas imagens ocupam o espaço nos faz perceber suas exposições como instalações.

 

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LEGENDA: Exposições da artista

 

Pelo fato do gestual ser um agente de composição em suas imagens, temos nelas uma relação mais presente do corpo da artista com a obra: vemos ritmos, anseios, sequências e espontaneidade nas cores e formas por ela criadas. Essas questões nos remetem ao Action Painting, técnica abstrata de pintura da década de 1940 que propunha uma produção a partir da atividade do inconsciente sobre o consciente, ou seja, o automatismo, e também que se pudesse observa o gesto pictórico do artista, tendo como um dos seus principais expoentes o norte-americano Jackson Pollock que dizia: “Antes da ação não há nada: nem sujeito, nem objeto.”

Seu trabalho, levanta a questão da presença da ação e do sujeito como formador da imagem fotográfica, de uma maneira em que ambas se tornam indissociáveis: aquela ação só poderia ter sido feita por Robertson e seu corpo. Sua produção mescla corpo e intenção dando um resultado alem de uma busca estética. Assim como que para Pollock, não existe acidentes, mas apenas necessidades do percurso.

 

 

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Marcelo Parducci é fotógrafo e sua pesquisa tem foco em formas experimentais e/ou alternativas dentro do universo da fotografia que trabalhem construindo poéticas.