Margaret Bourke-White (1904–1971): no lugar certo, na hora certa

Categoria: AutoreseHistória e Fotografia.

06/08/2015

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Margaret Bourke-White / Primeira capa de revista LIFE com fotografia de represa Fort Peck do rio Missouri / 1936

Certa vez, Margaret Bourke-White disse: “Nesta minha experiência, houve uma maravilha contínua: o timing de precisão que funciona através de tudo… por alguma graça especial do destino me foi depositado – como todos os bons fotógrafos gostam de estar – no lugar certo na hora certa.”[2] Primeira fotógrafa estrangeira a ter permissão para fotografar a indústria soviética, primeira fotojornalista de guerra e primeira fotógrafa mulher a trabalhar na Revista de Henry Luce – Life. Margaret Bourke-White uma das mais importantes fotógrafas do século XX, sua vida talvez seja pouco conhecida, em compensação suas fotografias, fazem parte da história da humanidade.

Com ousadia, astúcia e intuição conseguiu apreender do instante registrado a notícia que estava acontecendo. Tinha dominado de seu meio, a fotografia, mas foi com o seu talento, ambição e flexibilidade que ganhou o mundo, e o mundo ganhou suas imagens. Como um reflexo-refratado a realidade era apresentada em forma, volume, luz e sombra, era a montagem da vida por meio da luz, a história sendo contata pelas lentes de alguém que tem algo a falar. A revista Life foi sua testemunha, publicando em suas capas e páginas muitas dessas fotografias que marcaram três décadas – de 1930 a 1960.

 

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Margaret Bourke-White / Buchenwald / 1945

 

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Margaret Bourke-White / Brigada de mulheres russas / 1941

 

A modernidade era o seu tema, de início, o vislumbre pela industrialização com suas formas geométricas, a composição da nova era, no entanto, do outro lado da moeda do desenvolvimento, as guerras, e com elas o ser humano e sua finitude. Limites, proporções e desproporções mostradas pelos diversos pontos de vista adotados pela fotógrafa na busca incessante pela imagem perfeita, aquela do instante a ser eternizado, o qual se torna história à luz de sua objetiva.

 

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Margaret Bourke-White / Cineasta russo Serguei Eisenstein sendo barbeado no terraço do estúdio fotográfico de Bourke-White no edifício Chrysler, Nova Iorque / 1932

 

Em meados da década de 1950, notou sinais da doença de Parkinson. Sua autobiografia, Portrait of Myself, foi iniciado em 1955 e concluído em 1963. Ela deixou para trás um legado como uma mulher determinada, uma artista visual inovadora e uma observadora compassiva da humano.

Suas fotografias estão no Museu do Brooklyn, no Museu de Arte de Cleveland e no Museu de Arte Moderna de Nova York. Ela também está representada na coleção da Biblioteca do Congresso.

 

Bourke-White On The Chrysler Building

Oscar Graubner / Margaret Bourke-White no topo do Edifício Chrysler, Nova Iorque / 1925

 

Referências:

RUBIN, Susan Goldman. Margaret Bourke-White: Her Pictures Were Her Life. New York: Abrams, 1999.

SIEGEL, Beatrice. An Eye on the World: Margaret Bourke-White, Photographer. New York: F. Warne, 1980.

SILVERMAN, Jonathon. For the World to See: The Life of Margaret Bourke-White. New York: Viking Press, 1983.

 

 

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Fabiola B. Notari é artista visual e pesquisadora. É doutoranda em Literatura e Cultura Russa no Departamento de Letras Orientais (DLO/FFLCH/USP) e mestre em Poéticas Visuais pela Faculdade Santa Marcelina (FASM/ASM). Leciona História da Fotografia e Fotomontagem no Curso Superior de Fotografia no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e coordena o Grupo de Estudos Livros de artista, livros-objetos: entre vestígios e apagamentos na Casa Contemporânea.

http://casacontemporanea370.com/article/Grupo-de-Estudos-Livros-de-artista-livros-objetos-.html

Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/1828197136276074

[2] International Photography Hall of Fame and Museum (tradução livre da autora).