Lewis Carroll (1832–1898): Para além das fotografias de Alice

Categoria: História e Fotografia.

03/03/2016

 

Alice: Quanto tempo dura o eterno?

Coelho: Às vezes apenas um segundo. (Lewis Carroll)

 

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Desde criança, Charles Lutwidge Dodgson, já se interessava por mágica e ilusionismo, ao tornar-se Lewis Carroll esse gosto tomou maiores proporções. Apaixonado por jogos inventou grande número de enigmas, jogos matemáticos e de lógica ao mesmo tempo em que criava seus enredos envoltos de magia e seres fantásticos que contagiaram gerações e gerações de eleitores.

Muitas polêmicas surgiram entorno de sua vida pessoal, principalmente por causa de sua admiração por jovens meninas. Independente de suas escolhas, Carroll dedicou-se incansavelmente a um único propósito, ser um artista. Em seu processo criativo, a fotografia foi um veículo frutífero. Em 1856 fotografou pela primeira vez com o processo químico denominado colódio úmido[2], processo fotográfico inventado em 1848 pelo inglês Frederick Scott Archer (1813-1857), mas apenas introduzido em março de 1851.

 

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A partir de um processo químico e físico o instante fugaz do tempo torna-se eterno; a infância, com sua beleza e inocência, congela-se na fotografia. Cabe destacar que o ar natural de seus modelos o coloca entre os retratistas ingleses do século XIX que transcenderam as limitações técnicas de então. Jovens meninas eram as personagens preferidas da lente de Carrol, a mais famosa delas foi Alice Lidell.

Vários foram os motivos que levaram Lewis Carroll a abandonar a arte da fotografia no começo de 1880. O advento da técnica do colódio seco contribuiu para a sua aposentadoria. No entanto, é de se notar que o casamento de Alice Lidell foi por essa mesma época. Logo, foi como se a adoração de Carroll por ela, que se tornara proibida, e a paixão pela fotografia tivessem se extinguido em um sopro.

 

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[2] Archer descobriu que o colódio, uma solução viscosa de piroxilina,  quando misturada a outros reagentes e que em contato com nitrato de prata, se torna um material sensível à luz. A técnica consiste na aplicação deste colódio ainda líquido em uma placa de metal ou vidro que deve estar bem limpa, criando-se então uma película muito fina. Esta placa é submersa por alguns minutos em uma solução de nitrato de prata tornando-se assim fotosensível. asicamente, o que temos até aqui é o colódio como uma solução ligante entre o suporte (placa de metal ou vidro) e o nitrato de prata. Esta placa quando retirada do banho de nitrato de prata, agora fotosensível, é colocada ainda úmida em um dark slide para que seja exposta através da câmera. O tempo de exposição destas placas para que seja possível gravar uma imagem é longo dependendo das condições climáticas.

 

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Fabiola B. Notari é artista visual e pesquisadora. É doutoranda em Literatura e Cultura Russa no Departamento de Letras Orientais (DLO/FFLCH/USP) e mestre em Poéticas Visuais pela Faculdade Santa Marcelina (FASM/ASM). Leciona História da Fotografia e Fotomontagem no Curso Superior de Fotografia no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e coordena o Grupo de Estudos Livros de artista, livros-objetos: entre vestígios e apagamentos na Casa Contemporânea.