Hannah Höch (1889–1978): fragmentos do mundo

Categoria: História e Fotografia.

07/07/2015

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Hannah Höch / Bilderbuch

A fotomontagem surge como manifestação artística no período das vanguardas, torna-se reflexo de uma sociedade fragmentada que busca se reconhecer e se reconstruir em plena transformação social, política e cultural. Na passagem do século XIX para o XX, Hannah Höch nasce e com ela toda uma geração que busca por meio da arte a tão almejada mudança. Sua formação em artes gráficas e seu profundo envolvimento com o movimento Dadaísta, a tornam referência na arte da fotomontagem. O tema central de seus trabalhos é a mulher, o confronto entre a “antiga” e a moderna mulher alemã levantando questões relativas à sexualidade e aos seus papéis de gênero na nova sociedade. Com essas imagens Höch abordou medos, possibilidades e as novas esperanças para as mulheres na Alemanha moderna.

 

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Hannah Höch / Bilderbuch

No entanto, no livro Bilderbuch Höch apresenta fotomontagens voltadas para o universo infanto-juvenil. Criado depois da Segunda Guerra Mundial, Höch montou em seu Bilderbuch – livro de imagens – um jardim zoológico com fotomontagens acompanhado por uma série de poemas simples. Infelizmente, o livro não foi publicado em sua totalidade até 1985, quando teve tiragem limitada de 200 exemplares.

 

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Hannah Höch / Bilderbuch

No Bilderbuch, tanto as imagens quanto as palavras foram criadas por meios da montagem, justaposição e sobreposição de fragmentos fotográficos retirados de impressos, os quais juntos criam outra coisa, um resultado inesperado que possibilita o leitor sonhar acordado, fazendo florescer a infância esquecida.

 

Hannah Hoch

Hannah Höch / Autorretrato

Segundo Walter Benjamin “Mas quando um poeta moderno diz que para cada um existe uma imagem em cuja contemplação o mundo inteiro submerge, para quantas pessoas essa imagem não se levanta de uma velha caixa de brinquedos?”. É assim que o livro Bilderbuch pode ser lido, como a possibilidade de resgate da visão pueril do mundo, cuja ordem encontra-se na desordem das partes, onde o impossível torna-se possível. Não é este o mote de toda revolução?

 

Referências:

ADES, Dawn. Photomontage. London: Thames and Hudson, 1993.

BENJAMIN, Walter. Brinquedos e jogos. In: Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação. Trad. de Marcus Vinicius Mazzari. São Paulo: Editora 34, 2002

FABRIS, Annateresa. A convergência com os meios de comunicação de massa. In: O desafio do olhar: fotografia e artes visuais no período das vanguardas históricas. São Paulo: WMF Martisn Fontes, 2011.

Artigo de Nicole Rudick sobre livro Picture Books de Hannah Höch

http://thoughtcatalog.com/nicole-rudick/2010/08/hannah-hoch-picture-book-dada-green-box-review/

White Chapel Gallery

http://www.whitechapelgallery.org/about/press/hannah-hoch/

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Fabiola B. Notari é artista visual e pesquisadora. É doutoranda em Literatura e Cultura Russa no Departamento de Letras Orientais (DLO/FFLCH/USP) e mestre em Poéticas Visuais pela Faculdade Santa Marcelina (FASM/ASM). Leciona História da Fotografia e Fotomontagem no Curso Superior de Fotografia no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e coordena o Grupo de Estudos Livros de artista, livros-objetos: entre vestígios e apagamentos na Casa Contemporânea.