Frances Benjamin Johnston (1864 – 1952): dentro da sala de aula

Categoria: História e Fotografia.

02/09/2016

Não eduques as crianças nas várias disciplinas recorrendo à força, mas como se fosse um jogo, para que também possas observar melhor qual a disposição natural de cada um.

(Platão)

Frances “Fannie” Benjamin Johnston encontrou na fotografia sua maior expressão artística. Jovem, independente e cheia de vitalidade, no início de sua carreira profissional, escreveu artigos para periódicos antes de identificarmos com a linguagem fotográfica. Sua primeira câmera foi dada por George Eastman, amigo próximo da família, e inventor das novas câmeras portáteis e mais leves – Eastman Kodak. A aspirante a fotógrafa aprendeu as técnicas fotográficas com Thomas Smillie, diretor de fotografia no Instituto Smithsonian.

 

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Durante a última década do século XIX, Johnston trabalhou na empresa Eastman Kodak, recém-formada em Washington – DC ganhando grande experiência técnica, qualidade que a fazia aconselhar clientes quanto ao conserto de suas câmeras. Em 1894, ela abriu seu próprio estúdio fotográfico em Washington – DC, sendo a única fotógrafa mulher na cidade.

 

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Johnston era defensora da participação das mulheres na arte emergente da fotografia, ao ponto de publicar no periódico Ladies’ Home Journal o artigo What a Woman Can Do With a Camera em 1897, e de ser co-curadoria com Zaida Ben-Yusuf de uma exposição de fotografias por vinte e oito mulheres fotógrafos na Exposição Universal de 1900. Aos 30 anos viajou muito, construindo uma vasta gama de fotografias artísticas e documentais de mineiros de carvão, trabalhadores do ferro, mulheres em moinhos e marinheiros da Nova Inglaterra.

 

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Em 1899, Johnston ganhou ainda mais notoriedade quando Hollis Burke Frissell encomendou a ela uma série de fotografias dos edifícios e alunos da Hampton Normal and Agricultural Institute, a fim de registrar seu cotidiano e de divulgar o seu sucesso educacional. Fundada em 1868 por líderes afro-descendentes e brancos da American Missionary Association, após a Guerra Civil, a instituição proporcionava educação para os libertos, 10 anos depois, foi criado um programa de ensino para nativos americanos, perdurando até 1923.

Esta série sobre a educação em Hampton foi exibida na Exposé nègre na Exposição Universal de Paris em 1900.

Referências:

Frances Benjamin Johnston – Biographical Overview and Chronology

http://www.loc.gov/rr/print/coll/fbjchron.html

Acessado em 24/08/2016, às 15:00.

MoMA – Frances Benjamin Johnston

http://www.moma.org/collection/artists/7851?locale=en

Acessado em 24/08/2016, às 14:50.

Smithonians – Victorian Womanhood, in All Its Guises

http://www.smithsonianmag.com/history/victorian-womanhood-in-all-its-guises-14265506/?no-ist

Acesso em 24/08/2016, às 15:25.

 

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Fabiola B. Notari é artista visual e pesquisadora. É doutoranda em Literatura e Cultura Russa no Departamento de Letras Orientais (DLO/FFLCH/USP) e mestre em Poéticas Visuais pela Faculdade Santa Marcelina (FASM/ASM). Leciona História da Fotografia e Fotomontagem no Curso Superior de Fotografia no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e coordena o Grupo de Estudos Livros de artista, livros-objetos: entre vestígios e apagamentos na Casa Contemporânea.