Félix Nadar (1820–1910): Paris em seus diferentes pontos de vista

Categoria: História e Fotografia.

07/04/2016

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Albert Humbert - Caricatura de Nadar e seu balão / Litografia pintada / 1863

 

Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar.

O século XIX foi um período da história rico em homens renascentistas e Nadar certamente é um desses homens fascinantes. Ele era escritor, artista, fotógrafo e estava profundamente interessado em ciência e política. Nadar – Gaspard-Félix Tournachon –, nasceu em Paris no ano de 1820.

 

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Félix Nadar - O balão Le Geant / Setembro de 1864 / Xilogravura feita a partir de desenho de Nadar

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Félix Nadar - Segunda ascensão do balão de Nadar em Paris / Parte da frente da estereoscopia /Outubro de 1863

 

Interessou-se por fotografia como ferramenta necessária para o desenvolvimento de seus desenhos. Em 1855, ele e seu irmão abriram um estúdio fotográfico especializado em retratos, cinco anos depois, em 1860, Nadar abriu seu próprio estúdio no coração de Paris. Excêntrico e peculiar, Nadar era um homem alto, grande, com cabelo e bigode vermelhos flamejantes, tudo ao seu redor era vermelho, até o roupão com o qual recebi seus convidados.

Fascinado pela fotografia e sua capacidade de capturar o tempo e sua transformação, buscou em diversos lugares algo a ser fotografado, revelando ao público diferentes pontos de vista daquilo que aparentemente era comum e corriqueiro. Fotografou as profundezas de Paris, seus esgotos e catacumbas e foi o primeiro a produzir fotografias aéreas a partir de um balão, mostrando ao mundo a paisagem de outro ponto de vista, a dos pássaros.

 

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Félix Nadar - Trabalhadores nas catacumbas de Paris / 1860

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Félix Nadar - O Arco do Triunfo e o Grand Boulevard, Paris / 1868

 

Por volta de 1863, Nadar construiu um enorme balão de ar quente, com cerca de 6000 m3, chamado Le Géant (O Gigante), inspirando na obra Cinq semaines en ballon[2] (Cinco Semanas em um Balão) de Júlio Verne (1928–1905).

Nadar acreditou e fez campanha para o avanço da aeronáutica. Em 1863, criou a The Society for the Encouragement of Aerial Locomotion by Means of Heavier than Air Machines (Sociedade de Incentivo à Aérea locomoção por meio de Mais pesado que o ar Machines), tendo ele como presidente, e Júlio Verne como secretário.

Durante a guerra contra a Itália, Napoleão III solicitou a Nadar que tirasse fotografias aéreas para o governo francês, mas por razões políticas ele se recusou. Mais tarde, em 1870, durante uma guerra com a Prússia, Nadar ajudou a quebrar um bloqueio que havia em Paris por meio da realização do correio por balão de ar, de Paris a Normandia. Assim iniciou-se o primeiro serviço de correio aéreo do mundo.

 

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Félix Nadar - Primeira fotografia aérea / 1858

 

[2] Foi a primeira obra ficional publicada por Jílio Verner em 1963. Sinopse: Na época dourada das grandes explorações ao continente africano, o Dr. Samuel Fergusson dispõe-se a fazer a viagem mais arrojada de todas: atravessar a África, de leste a oeste, num balão. Acompanhado pelo jovem Joe Wilson, o seu fiel criado, e pelo seu amigo de longa data Dick Kennedy, um intrépido e bravo caçador escocês, partem da ilha de Zanzibar a bordo do Victoria, um aeróstato especialmente concebido por Fergusson para a ocasião. Aventurando-se por territórios desconhecidos, a coragem dos três amigos é constantemente posta à prova perante os inúmeros perigos com que se vão deparando. Desde nativos aguerridos a animais ferozes nunca antes vistos por olhos europeus, passando por paisagens desoladoras e por outras fabulosas, somos levados numa aventura fantástica como só a prodigiosa mente de Júlio Verne poderia criar.

 

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Fabiola B. Notari é artista visual e pesquisadora. É doutoranda em Literatura e Cultura Russa no Departamento de Letras Orientais (DLO/FFLCH/USP) e mestre em Poéticas Visuais pela Faculdade Santa Marcelina (FASM/ASM). Leciona História da Fotografia e Fotomontagem no Curso Superior de Fotografia no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e coordena o Grupo de Estudos Livros de artista, livros-objetos: entre vestígios e apagamentos na Casa Contemporânea.