Efêmero Eterno, de Cláudio Cruz

Categoria: Exposição.

05/12/2015

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Efêmero Eterno faz parte do ciclo de exposições do projeto Nova Fotografia do MIS-São Paulo, que escolheu seis trabalhos para a programação do Museu este ano e escolherá mais seis para o próximo.

 

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As imagens de Cláudio Cruz ocupam uma sala de paredes pretas. Todas horizontais, de mesmo tamanho, correm uma instigante viagem em linha pelas quadrelas. O fotógrafo não nos leva pela mão, mas aponta alguns caminhos com suas frestas de luz.

 

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Captadas em preto e branco e alto contraste, as cenas parecem rasgadas do cotidiano e carregadas para um mundo surreal, onde o subjetivo é quem manda e completa o que não se vê. O cenário das fotografias é sua luz – que enquadra, comprime e afrouxa os personagens, sejam eles um garotinho, uma maritaca ou uma poça d’água. Essa luz tão marcada, no entanto, não nos impõe um roteiro fechado. Estamos diante de fragmentos de histórias à espera de um coautor?

 

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Mas se há algo nas imagens que pede companhia, também há, sempre, um elemento que tenta escapar: a fumaça, a vida, a mão, a raiz, o nó.Efêmero Eterno tem seu quê de Lucrecia Martel. Tem até a piscina onde o tempo não cabe – e talvez seja essa, afinal, a única condição incutida por Claudio: que deixemos agir ali o nosso tempo, preenchendo aqueles instantes com algum antes e algum depois.

 

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Texto de Laura del Rey