Brandon Seidler e suas fotografias poluídas

Categoria: Autores.

17/09/2015

Brandon Seidler sempre foi fascinado pela união de opostos que apos o primeiro choque se percebe uma harmonia. Desde cedo lhe foi apresentado este ambiente de opostos. Cresceu em Nova Jérsei num local como diz o artista, onde as montanhas e o oceano se encontravam e pelo caos aprendeu a enxergar a beleza na imperfeição.

Nova Jérsei alem de ser um dos estados mais industrializado e líderes no campo da produção de químicos no país, foi berço da revolução industrial dos Estados Unidos tendo assim uma grande tradição na área.

Pelo fator histórico, vive numa alta taxa de contaminação do meio ambiente por resíduos radioativos e outros contaminantes, o que motivou Seidler em sua pesquisa durante a faculdade de comunicação a procurar químicos que reagissem à película fotográfica. Durante a pesquisa, quando já havia identificado alguns componentes, descobriu que alguns dos químicos que utilizava em sua pesquisa eram descartados numa região próxima, o que impulsionou o artista a começar esta série que mescla a fotografia do local  com a corrosão feita pelos resíduos químicos encontrados na área.

 

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Impure Photography

 

A série chamada Impure, percorre regiões de Nova Jérsei e do Rio Hudson que durante sua história foi fortemente utilizado como despejo de diversos poluentes químicos. Seidler recolhe amostras das águas destes locais e utiliza seu caráter tóxico para degradar o filme a fim de expor como estes ambientes ainda estão contaminados.

 

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Impure Photography

Encontramos em suas imagens cenas bucólicas que valorizam a natureza em ambientes selvagens. Contaminando essas paisagens encontramos a presença dos químicos que trazem cores saturadas e manchas de diversas formas. A sobreposição das manchas com as paisagens gera um cenário que parece sair de um ambiente de ficção científica, com locais abandonados e que encontramos apenas os vestígios da ação do homem. Um ambiente em que já não é possível habitar.

Com isto o artista tenta denunciar como estes agentes químicos são nocivos para o ambiente e para nós, levantando a pergunta: se eles fazem isso com a película fotográfica, o que fazem ao nosso corpo?

 

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Marcelo Parducci é fotógrafo e sua pesquisa tem foco em formas experimentais e/ou alternativas dentro do universo da fotografia que trabalhem construindo poéticas.