A linguagem oculta das imagens

Categoria: Pensamento e teoria.

26/11/2015

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Amandine Freyd

 

Quando nascemos, algumas expectativas são geradas ao nosso redor, como por exemplo: quando aprenderemos a falar, quando aprenderemos a andar. Mais tarde quando chegarmos a idade escolar, quando aprenderemos a ler e a escrever. Porém, algo falta, e talvez nem reparamos mas, quando aprenderemos a olhar?

Abrimos os olhos e enxergamos, simples assim, foi formada uma imagem e isso nos basta para ver o mundo. Contudo, assim como aprendemos a “desenhar” as letras, a juntá-las, a atribuir um significado por detrás de cada combinação possível, para depois, decodificar a mensagem, interpretar o contexto e assimiliar seu significado; mal aprendemos a olhar e refletir para todos as imagens que ingerimos diariamente.

 

Valentin Chenaille

Valentin Chenaille

 

Inocentemente vemos, mas será que realmente olhamos? Somos capazes de  decodificar a linguagem visual, todos os índices, ícones e símbolos presentes nesse mundo repleto de imagens?  Ou ainda nos apegamos ao status verossímil que a fotografia trouxe sem mais questionamentos? Mesmo sabendo que a manipulação da imagem existe desde os primórdios, quando Stalin manipulou fotografias em prol dele mesmo. E ainda assim consumimos imagens sem ao menos sequer questioná-las, sem nem tentar interpretá-las, da mesma forma que abrimos nossos olhos e vemos, simples assim, sem envolvimentos.

Walter Benjamim, estava não apenas correto sobre a reprodutibilidade técnica, a fotografia nasce para as massas, e mais, diria que encontra na atualidade sua reprodutibilidade por exelência. Onde muitas vezes perde-se do seu conteúdo, apenas para alcançar, o maior número de expectadores possíveis. Nos dias atuais, o índice emerge no ícone, o índice persegue o ícone, agregando a essa imagem um significado rápido e razo, em uma tentativa frustada de atribuição de valores, que perde-se pela repetibilidade excessiva.

 

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Susanna Esselberg

 

Questionamentos extremamente significativos inerentes ao nosso analfabetismo visual, à super valorização da imagem e ao seu consumo excessivo, começam a ser levantados. Como a holandesa Zilla van den Born que forjou suas férias na Ásia sem sair de sua cidade, ou do jornal francês Liberation, que publicou uma edição inteira sem fotografias justamente para provar a importância da mesma. Manifestações como essas urgem para que repensemos o modo como lidamos com esse mundo de imagens e que me  faz  repetir, quando aprenderemos a olhar?  Serão essas pequenas tentativas suficientes para mudar a nossa educação visual? Porque nos privam da compreensão dessa linguagem visual, que é riquissíma e fortemente usada, inclusive como forma de manipulação, já que poucos consenguem assimilar a mensagem escondida por detrás de toda a semiótica e estética das imagens? Pensemos.

 

“ Não acredito na boa foto, acredito no bom leitor, na pessoa que consegue olhar e interpretar a imagem.” 

Claudio Feijó

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Texto por Alinne Rezende

alinne@alinnerezende.com